06/05/2010

Fylgja x Animal de Poder

em Espiritualidade, Magia

  Fylgja não é a mesma cosia que animal de poder e eu explicarei o porquê.

  Animal de poder é um conceito do xamanismo ameríndio onde uma tribo/família cultua/idolatra um espírito animal que protege, guia e incita aquele grupo. É um totem que age como uma divindade. Dizem que pode-se escolher um animal de poder, ou ser escolhido por ele. Isso não acontece com a Fylgja.

  A fylgja é uma entidade protetora e auxiliar de um clã que se realiza na forte crença da Providência, como mostram as sagas das famílias islandesas. Ela não possui uma forma animal ou humana, e sim feminina. Ela pode se manifestar como um animal, elfo ou mulher, como mostram as sagas.

  Diz-se que ela se associa à alma do ente no momento do nascimento e o persegue até a sua morte, quando então o carregará até o paraíso, onde este se juntará aos seus ancestrais.

  A fylgja também está associada à magia. No seidr, a consulente pode contactar sua fylgja solicitando ajuda ou viajando junto desta para outras regiões atrás de respostas. Também há menções de que em dados momentos do seidr a alma se funde à fylgja, transformando-se, com objetivo de obter algum determinado poder desta. Neste caso, ela se transforma na hamingja (hamr = espírito + fylgja = acompanhante).

  O conceito de fylgja é muito complexo para se entender em apenas um texto. É sempre difícil explicar aquilo que não podemos ver ou tocar.

  Ela faz parte do coro espiritual que protege e guia um clã. Não sabemos exatamente o que ela é. Mas um animal de poder com certeza não é. Entretanto, como a magia e a religião do paganismo nórdico, ela está intimamente ligada ao xamanismo, também não podemos nos desvincular por completo dessas associações.

  No livro Germanic Espirituality, de Bil Linzie, pág. 44, há o seguinte trecho:

  “The kynfylgja , a female guardian ghost, may have been closely related to the disir or may actually have been one of them.”

  Isto é, ou a fylgja faz parte do corpo espiritual das dísir, quando não é uma delas. Os conceitos de dísir e fylgja entram em fusão por muitos momentos, devido às claras semelhanças. Idísi e valquírias também entram nessa leva.

  A fylgja pode ser individual ou do clã. A fylgja individual é uma faceta da fylgja do clã. Por isso ela só pode ser herdada ou adotada. Toda família/clã/kindred possui uma fylgja maior que se desdobra em formas individuais para contemplar as necessidades e providências de cada pessoa, em particular. Essa fylgja “geral” recebe o nome de aettarfylgja ou kynfylgja. Usamos o termo fylgja apenas para nos referir à fylgja pessoal de cada um. A função da aettarfylgja é a prosperidade e continuidade da família como um todo.

  Conselho: procuremos não limitar sua visão sobre fylgja. Não daremos formas, sexo ou nomes à fylgja. Mesmo fezendo isso, a essência original dela jamais será parecida com aquilo que nossas expectativas suspeitaram.

  Para muitas tribos germânicas a alma se resumia em hamr e fylgja, basicamente. O espírito e seu duplo. Para outras tribos, a alma poderia se apresentar de forma mais complexa e complicada, com partes e conceitos mais bem compostos. 

  Diz-se que só a vemos perto da morte. Entretanto, existem muitas formas de comunicação com ela, a maioria através de estados de transe, sonhos e sinais.

  O conceito de fylgja é mais antigo do que o próprio conceito de uma alma entre os povos germânicos.

  Por isso, não podemos afirmar que fylgja é um animal de poder, mesmo que tantas semelhanças xamanísticas sejam apresentadas.

  Vagner

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Cadu Garcia